Dia dos Pais 2026 deve movimentar bilhões nos shoppings de todo o país

Frio no calendário e orçamento apertado não impedem o varejo de apostar em alta nas vendas de agosto

O comércio brasileiro entra na reta final de preparação para o Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, uma das datas mais relevantes do segundo semestre para shoppings e lojistas de rua. Levantamentos de entidades como a CNC e a CNDL/SPC Brasil apontam que a movimentação deve superar os R$ 8 bilhões apenas no varejo restrito, com o comércio eletrônico contribuindo com outra fatia bilionária. O cenário, porém, é mais complexo do que em anos anteriores: a renda do trabalhador segue relativamente estável, mas o consumidor chega à data com dívidas em aberto e maior sensibilidade a preço. Pesquisas regionais, como a realizada em Manaus, mostram disposição alta para presentear, o que reforça a força simbólica da data mesmo diante de um cenário econômico mais cauteloso. Para os shopping centers, a expectativa é de que o clima mais frio em boa parte do país ajude a puxar as vendas de vestuário e acessórios de inverno.

O que os números mostram sobre a data

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Dia dos Pais em 2025 movimentou cerca de R$ 7,84 bilhões, alta real de 3,2% sobre o ano anterior e o melhor resultado desde 2014. Para 2026, a projeção editorial construída a partir desses indicadores aponta uma faixa entre R$ 8,2 bilhões e R$ 8,5 bilhões no varejo restrito, podendo chegar a quase R$ 29,5 bilhões quando somados comércio e serviços de forma ampla. O boletim Focus, divulgado no início de julho, trouxe um pano de fundo que ajuda a explicar essa cautela: inflação projetada em torno de 5,3% para o ano e Selic ainda em patamar elevado, de 14% ao ano. Isso significa que o consumidor tende a pesquisar mais, comparar preços com antecedência e reagir bem a parcelamento sem juros.

O comércio eletrônico segue como protagonista dentro dessa movimentação. Estimativas indicam que o Dia dos Pais 2026 pode gerar entre R$ 10,4 bilhões e R$ 10,9 bilhões apenas no ambiente digital, impulsionado por marketplaces, redes sociais e busca por conveniência. Ainda assim, os shopping centers seguem como ponto de encontro entre o público que quer ver e experimentar o produto antes de decidir a compra. Categorias como moda, calçados, perfumaria, eletrônicos e experiências gastronômicas aparecem entre as mais citadas pelos consumidores nas pesquisas de intenção de compra, o que indica que a praça de alimentação e as lojas de vestuário devem puxar o movimento dentro dos empreendimentos.

Como o consumidor está se comportando antes da data

Um dos pontos que chama atenção nas pesquisas mais recentes é o tempo de antecedência com que o brasileiro começa a pesquisar preços. No caso de datas comemorativas próximas, como o Dia das Mães, mais de 70% dos consumidores afirmaram iniciar a busca por presentes com quinze dias ou mais de antecedência, um comportamento que tende a se repetir no Dia dos Pais. Isso faz com que lojistas antecipem campanhas e promoções, já que perder as primeiras semanas de julho pode significar disputar preço na reta final, quando a margem de negociação é menor. Comércios de cidades como Pelotas já registram aumento na procura por roupas de inverno, favorecidas pelo frio mais intenso neste ano.

Outro fator que molda o comportamento de compra é a forma de pagamento. O Pix consolidou-se como meio preferido em datas sazonais recentes, respondendo por mais da metade das transações à vista em pesquisas ligadas ao Dia das Mães, enquanto o cartão de crédito parcelado segue relevante para compras de maior valor. Para os shoppings, esse mix de comportamento reforça a necessidade de oferecer opções de pagamento ágeis dentro das lojas físicas, já que o consumidor moderno transita com naturalidade entre pesquisar online e finalizar a compra no ambiente físico, ou o caminho inverso.

O Dia dos Pais 2026 chega, portanto, como um termômetro importante para medir a disposição de compra do brasileiro em um segundo semestre marcado por juros altos e inflação ainda pressionada. Os números apontam crescimento moderado, mas consistente, tanto no varejo físico quanto no digital, com destaque para categorias ligadas ao inverno e à emoção do presente personalizado. Para os shopping centers, a data funciona como um teste antes de períodos ainda mais decisivos do calendário, como a Black Friday e o Natal, e os primeiros sinais indicam que o público segue disposto a ir às lojas, mesmo pesquisando mais e gastando com mais cautela.

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