Saneamento básico em 2026: por que o Brasil ainda não resolveu um problema tão antigo?

O déficit de saneamento básico no Brasil é uma das questões mais persistentes da infraestrutura nacional, e profissionais como Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, acompanham de perto os avanços e os gargalos que ainda travam o acesso universal à água tratada e ao esgotamento sanitário. Mais de 30 milhões de brasileiros seguem sem abastecimento adequado de água, enquanto cerca de 100 milhões ainda não têm coleta de esgoto, segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. 

Nos próximos parágrafos, você vai entender por que o problema persiste, o que mudou com o novo marco regulatório e quais são os caminhos reais para transformar esse cenário.

O que o novo marco do saneamento mudou na prática?

A aprovação do Marco Legal do Saneamento, em 2020, representou uma virada regulatória importante. A lei abriu o setor para a iniciativa privada em maior escala, exigiu metas claras de universalização e estabeleceu que municípios com contratos fora dos padrões teriam de se adequar ou perder o direito de continuar com seus prestadores. A ideia central era simples: atrair investimentos privados, romper com modelos ineficientes e acelerar a expansão da cobertura.

Na prática, o resultado tem sido misto. Algumas regiões avançaram com licitações, concessões e parcerias público-privadas que já mostram resultados concretos. Outras seguem estagnadas, presas a disputas políticas, falta de planejamento técnico ou ausência de projetos executivos bem estruturados. Conforme aponta o engenheiro Odair José Mannrich, a execução de projetos de saneamento exige muito mais do que vontade política: demanda capacidade técnica, engenharia ambiental aplicada e gestão eficiente de recursos ao longo de todo o ciclo da obra.

Por que tantos projetos de saneamento fracassam antes de sair do papel?

Um dos erros mais recorrentes no setor é a contratação de projetos mal dimensionados, que não consideram as especificidades do território, o perfil da população atendida ou as condições ambientais locais. Sistemas projetados para grandes centros urbanos simplesmente não funcionam quando replicados em municípios menores, com topografia diferente, renda per capita distinta e capacidade operacional limitada.

Outro problema frequente é a falta de integração entre o projeto de saneamento e o planejamento urbano do município. Bairros crescem, novas ocupações surgem, e a infraestrutura sanitária não acompanha esse ritmo. O resultado é o retorno do déficit mesmo em áreas que já haviam sido atendidas anos antes.

Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

Para o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, projetos sustentáveis de saneamento precisam considerar desde o início variáveis como crescimento populacional, capacidade de manutenção local e impacto ambiental das soluções adotadas. Segundo Odair José Mannrich, a engenharia ambiental tem papel central não apenas na construção, mas no diagnóstico que precede qualquer intervenção.

Saneamento básico e saúde pública: uma relação direta e subestimada

Cada real investido em saneamento básico gera economia significativa no sistema de saúde. Estudos do Instituto Trata Brasil apontam que municípios com maior cobertura sanitária apresentam redução considerável nas internações por doenças de veiculação hídrica, como diarreia, hepatite A e leptospirose. Crianças em áreas sem saneamento adequado têm desenvolvimento cognitivo e físico comprometido, com impacto direto na educação e na produtividade futura.

Esse dado transforma o saneamento de uma pauta de infraestrutura em uma questão de direitos fundamentais. E é exatamente essa perspectiva que tem orientado parte das discussões mais recentes sobre o tema no setor técnico e regulatório, retrata Odair José Mannrich.

Tecnologia e inovação estão chegando ao setor

O saneamento básico, historicamente marcado por soluções tradicionais, começa a incorporar tecnologia de forma mais sistemática. Sensores de monitoramento em redes de distribuição, sistemas de detecção de vazamentos em tempo real, tratamento de esgoto com aproveitamento de biogás e reúso de água para fins não potáveis já fazem parte do repertório de empresas que atuam na vanguarda do setor.

Conforme destaca o engenheiro Odair José Mannrich em contextos ligados à engenharia ambiental aplicada, a adoção de soluções tecnológicas precisa estar alinhada à realidade operacional de cada localidade. Tecnologia mal aplicada pode gerar custos sem retorno e comprometer a viabilidade de longo prazo dos sistemas implantados.

O caminho real para a universalização do saneamento no Brasil

Chegar à universalização do saneamento básico até 2033, como prevê o marco regulatório, exige um esforço conjunto que vai além dos investimentos financeiros. É necessário formar profissionais capacitados, fortalecer a fiscalização, garantir continuidade nos contratos de concessão e criar mecanismos que protejam populações vulneráveis de tarifas inacessíveis.

Para o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, o desafio técnico é real, mas superável. O Brasil já demonstrou capacidade de avançar rapidamente em infraestrutura quando há projeto, financiamento e gestão alinhados. O setor de saneamento precisa exatamente disso: menos improviso, mais engenharia.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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