Furto de petróleo reacende debate sobre segurança estrutural dos oleodutos no Rio de Janeiro
Paulo Roberto Gomes Fernandes volta a ser citado em um debate sensível para a infraestrutura energética brasileira, o combate ao furto de petróleo diretamente de oleodutos da Transpetro, após nova operação policial realizada em julho de 2025 no estado do Rio de Janeiro. A reincidência desse tipo de crime evidencia que, apesar dos avanços tecnológicos e das ações repressivas, o problema permanece ativo e exige soluções estruturais mais amplas para evitar riscos à população e ao meio ambiente.
A operação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público estadual, resultou na prisão de integrantes de uma organização criminosa especializada em desviar petróleo bruto de dutos operados pela Transpetro. A ação, denominada Operação Infractio, cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em diferentes estados, revelando um esquema sofisticado e recorrente, mesmo após sucessivas intervenções policiais ao longo dos últimos anos.
Criminalidade recorrente e riscos associados aos dutos
O furto de petróleo em oleodutos não é apenas um crime patrimonial, mas um risco real à segurança pública. Casos históricos de vazamentos e explosões decorrentes de intervenções clandestinas deixaram marcas profundas na memória coletiva, demonstrando o potencial de tragédias evitáveis. Paulo Roberto Gomes Fernandes sugere que a insistência dessas práticas reforça a necessidade de repensar modelos construtivos e estratégias de proteção da malha dutoviária, indo além da resposta policial.
As investigações mais recentes identificaram a construção de um túnel clandestino de cerca de sete metros de extensão, utilizado para acessar ilegalmente um duto no interior do estado. O nível de organização do grupo chamou a atenção das autoridades, com uso de veículos alugados em nome de terceiros, contas bancárias intermediárias e comunicação criptografada, tudo para dificultar o rastreamento dos responsáveis.
Tecnologia, repressão e limites do modelo atual
Nos últimos anos, a Transpetro intensificou o uso de tecnologias de monitoramento para detectar derivações clandestinas com maior rapidez. Sistemas de controle e logística permitiram reduzir significativamente o número de ocorrências, segundo dados divulgados pela própria companhia. Ainda assim, como comenta Paulo Roberto Gomes Fernandes, a persistência das quadrilhas indica que a repressão e o monitoramento, embora essenciais, não são suficientes por si só para eliminar o problema.
O crime organizado tem se adaptado às novas ferramentas de controle, buscando pontos vulneráveis da infraestrutura e explorando áreas menos visíveis ou de difícil vigilância. Esse cenário exige uma abordagem integrada, que combine tecnologia, inteligência, planejamento de engenharia e revisão de conceitos construtivos.

Alternativas estruturais e debate técnico ampliado
Há mais de uma década, Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa a necessidade de discutir alternativas estruturais para reduzir a exposição dos oleodutos a intervenções criminosas. Entre as possibilidades está a adoção de trechos aparentes ou soluções construtivas que facilitem a inspeção visual e o controle permanente, reduzindo custos de manutenção e aumentando a segurança operacional.
Para ele, esse debate não deve ficar restrito às operadoras. A mobilização de centros tecnológicos, profissionais experientes e empresas privadas com histórico no setor pode ampliar o repertório de soluções. A experiência acumulada fora das estruturas formais das operadoras é vista como um ativo relevante na busca por modelos mais seguros e eficientes.
Mobilização institucional e papel da comunidade de dutos
Na leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a recorrência dos furtos demonstra que o tema precisa ser tratado como uma questão sistêmica, envolvendo operadores, órgãos reguladores, forças de segurança e a própria comunidade técnica do setor. A articulação entre diferentes atores pode acelerar a adoção de medidas preventivas mais eficazes, reduzindo a dependência exclusiva de ações repressivas.
A participação de entidades técnicas e profissionais com vivência prática em projetos de dutos é apontada como essencial para avaliar custos, riscos e benefícios de mudanças estruturais. Esse tipo de abordagem colaborativa tende a gerar soluções mais robustas, capazes de equilibrar segurança, viabilidade econômica e continuidade operacional.
Segurança energética e prevenção de tragédias
Embora o transporte de combustíveis por dutos seja reconhecido como eficiente e seguro quando operado corretamente, intervenções criminosas alteram completamente esse cenário. A prevenção de acidentes graves passa necessariamente pela redução das oportunidades de acesso indevido à infraestrutura.
Ao analisar os acontecimentos de 2025, Paulo Roberto Gomes Fernandes entende que o combate ao furto de petróleo precisa avançar para um novo patamar, incorporando mudanças de engenharia, maior integração institucional e decisões estratégicas de longo prazo. Somente assim será possível reduzir de forma consistente os riscos à população e evitar que crimes recorrentes resultem em novas tragédias anunciadas.
Autor: Günther Ner



