Copa do Mundo 2026 já está mudando o que o brasileiro compra nos shoppings
Levantamentos mostram alta em eletrônicos, alimentos e churrasco, com efeito que deve se estender até a final do torneio.
A Copa do Mundo de 2026 começou no dia 11 de junho, nos Estados Unidos, Canadá e México, e o impacto no bolso do consumidor brasileiro já é visível nas prateleiras dos shoppings e supermercados. Diferente da edição de 2022, disputada no verão e em horários diurnos, o torneio deste ano ocorre durante o inverno, com partidas no período noturno, o que mudou completamente o padrão de compras das famílias. A grande dúvida de quem trabalha no varejo é até onde vai esse efeito Copa e quais categorias de produtos devem continuar puxando as vendas até a decisão do torneio, marcada para 19 de julho. Levantamentos da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da empresa de inteligência de consumo Scanntech ajudam a responder essa pergunta com números concretos.
Por que o brasileiro está comprando mais antes dos jogos da seleção
De acordo com a Scanntech, o primeiro jogo do Brasil na Copa, disputado no sábado, 13 de junho, gerou um aumento de 11,4% no volume de vendas nos supermercados em comparação com dias normais de maio e junho, segundo reportagem da Band. O fato de a partida ter ocorrido em um sábado à noite permitiu que o torcedor usasse o dia inteiro para se preparar, reforçando um padrão de compras concentradas no próprio dia do jogo, e não mais nos dias anteriores, como acontecia em Copas disputadas em horários diurnos. A mesma pesquisa aponta crescimento expressivo em produtos voltados ao consumo dentro de casa, como salgados congelados, com alta de 34,5%, batata congelada, com 31,5%, e sobremesas para preparar, com 27,3%.
O comportamento também aparece em itens duráveis voltados à experiência de assistir aos jogos em casa. No próprio dia da estreia da seleção brasileira, a busca por dispositivos eletrônicos avançou 162,3%, enquanto equipamentos de áudio e vídeo cresceram 153,1% em volume de vendas, segundo os mesmos dados da Scanntech. Mesmo com esse apetite por itens calóricos e eletrônicos, a pesquisa identificou espaço para produtos saudáveis no carrinho do consumidor: suplementos para atividade física cresceram 15,3% e petiscos saudáveis avançaram 14,7% no dia do jogo, mostrando que o torcedor brasileiro tem buscado equilibrar a comemoração com hábitos mais conscientes.
Quanto a Copa do Mundo deve injetar no varejo brasileiro
Em projeção divulgada antes do início do torneio, a CNC estimou que a Copa do Mundo de 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo nacional, um avanço real de 6,5% em relação à edição de 2022, no Catar, segundo reportagem do BPMoney. Os hiper e supermercados devem concentrar a maior parte desse montante, com R$ 3,97 bilhões, quase 70% do total estimado, impulsionados por gastos imediatos em alimentos e bebidas. Vestuário e acessórios aparecem na sequência, com R$ 803,7 milhões projetados, enquanto o segmento de informática e comunicação deve somar R$ 198,5 milhões.
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, citada pelo Central do Varejo, projeta que cerca de 99,2 milhões de brasileiros devem ir às compras durante o torneio, com gasto médio de R$ 619 por consumidor, valor que sobe para R$ 784 entre as classes A e B. Para o presidente da entidade, José César da Costa, a Copa do Mundo funciona como um “segundo Natal” para o comércio, já que concentra consumo em um período relativamente curto. Bebidas não alcoólicas, petiscos, carnes para churrasco e cerveja aparecem como as categorias mais citadas pelos consumidores entrevistados.
O que esperar do varejo até a final da Copa
Com o torneio avançando, o setor de alimentos deve continuar sendo o principal beneficiado. Levantamento da Scanntech, divulgado pela Meio & Mensagem, projeta aumento de até 69% no fluxo de lojas nas duas horas que antecedem os jogos da seleção brasileira e alta de 8,3% no tráfego em loja no dia anterior às partidas. A expectativa da empresa é de um cenário ainda mais positivo do que em 2022, já que há maior incidência de jogos aos sábados, fora do horário comercial, e uma renda média real mais alta entre os consumidores brasileiros neste ano.
Para o varejo físico instalado em shoppings, o desafio agora é sustentar esse ritmo de vendas até a fase final do torneio e aproveitar o momento para fidelizar o consumidor que voltou às compras presenciais durante a Copa. Setores como artigos esportivos também devem se beneficiar: o Grupo SBF, controlador da Centauro, espera vender cerca de 850 mil camisas oficiais da seleção e mais 150 mil itens relacionados ao torneio, conforme dados do Central do Varejo. A recomendação de especialistas em varejo é que lojistas mantenham estoque ágil, priorizando produtos de alta saída e evitando excesso de itens estritamente sazonais, que perdem valor rapidamente após o fim da competição.
A Copa do Mundo de 2026 confirma um padrão já conhecido do varejo brasileiro: grandes eventos esportivos funcionam como verdadeiros impulsionadores de consumo, especialmente em alimentos, bebidas e eletrônicos. A diferença desta edição está no horário das partidas, que concentrou as compras no próprio dia dos jogos e elevou o fluxo de loja em períodos bem definidos. Para o consumidor, entender esse padrão pode ajudar a planejar compras com antecedência e evitar desabastecimento de produtos mais procurados perto dos jogos decisivos. Já para o varejo, o desafio segue sendo transformar esse pico de demanda em fidelização de longo prazo, aproveitando o momento de maior movimento nos shoppings e supermercados para fortalecer o relacionamento com o cliente além do período do torneio.
Fontes consultadas:
- https://www.band.com.br/economia/noticias/copa-do-mundo-altera-habitos-e-redesenha-consumo-no-varejo-brasileiro-202606231356
- https://bpmoney.com.br/mercado/copa-do-mundo-2026-deve-injetar-r-432-bi-no-varejo/
- https://centraldovarejo.com.br/copa-do-mundo-2026-no-varejo-992-milhoes-de-consumidores-devem-ir-as-compras-e-gasto-medio-chega-a-r-619/
- https://www.meioemensagem.com.br/marketing/como-os-jogos-do-brasil-vao-movimentar-o-varejo-alimentar



