Em 2025, o setor de shopping centers no Brasil deverá enfrentar uma leve desaceleração nas vendas em comparação com o ano anterior, mas ainda assim continuará a crescer, embora a um ritmo mais moderado. De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o faturamento do setor deve aumentar 1,6% em 2025, alcançando R$ 201,6 bilhões. Esse crescimento, embora expressivo, é inferior ao registrado em 2024, quando o faturamento subiu 1,9%, totalizando R$ 198,4 bilhões, um recorde na série histórica da associação.
A previsão de desaceleração para o setor de shoppings em 2025 está ligada a uma série de fatores econômicos que influenciam diretamente o consumo no Brasil. Embora o aumento do faturamento ainda represente um crescimento positivo, a expansão do setor já começa a mostrar sinais de um patamar mais equilibrado, após o forte desempenho registrado em anos anteriores. No entanto, os shoppings continuam sendo uma importante fonte de consumo e lazer para os brasileiros, o que mantém o otimismo no setor.
Além do crescimento moderado, a Abrasce também destacou a inauguração de novos shopping centers em várias cidades do país. Em 2025, sete cidades brasileiras devem inaugurar seus primeiros shoppings, o que demonstra a expansão geográfica do setor. Em 2024, cinco novas cidades passaram a contar com shopping centers, aumentando o número de municípios atendidos para 249. Esse movimento de ampliação é um reflexo do potencial de crescimento do mercado de shoppings no Brasil, que ainda possui regiões com demanda crescente por esse tipo de empreendimento.
A tendência de abertura de novos shoppings, especialmente em cidades que ainda não possuíam esse tipo de comércio, é um dos principais motores do crescimento do setor. Apesar da desaceleração nas vendas em 2025, o número de empreendimentos em operação deve continuar a aumentar. Em 2024, o país registrou a abertura de nove novos shoppings, elevando o total de empreendimentos no Brasil para 648. Essa expansão, embora em um ritmo mais suave, continua a ser um reflexo do potencial do mercado brasileiro.
O fluxo de clientes nos shoppings também teve um desempenho positivo, com um aumento de 2,9% em 2024 em comparação com o ano anterior. A média mensal de visitantes foi de 476 milhões, o que demonstra que os shoppings continuam sendo destinos populares para os consumidores. O número de lojas também cresceu, subindo 1,9% para 123 mil. Esses dados mostram que, apesar da desaceleração nas vendas, o setor ainda possui um grande apelo junto aos consumidores brasileiros, que continuam a frequentar os shoppings para suas compras e atividades de lazer.
No entanto, a desaceleração prevista para 2025 também reflete as dificuldades econômicas enfrentadas pelo Brasil nos últimos anos. Fatores como a inflação, a alta dos juros e a instabilidade econômica afetam diretamente o poder de compra das famílias brasileiras, o que reflete na redução da velocidade do crescimento das vendas em shopping centers. A recuperação da economia brasileira após a pandemia, apesar de significativa, ainda apresenta desafios que impactam o consumo.
O cenário macroeconômico deve continuar sendo um fator determinante para o desempenho do setor em 2025. Embora o aumento das vendas de shoppings seja uma boa notícia, a desaceleração é um reflexo da cautela dos consumidores e da necessidade de adaptação das lojas e dos shoppings a uma nova realidade de consumo. Nesse contexto, os shopping centers terão que buscar novas formas de atrair clientes, oferecendo experiências diferenciadas e inovadoras para manter o fluxo de visitantes e garantir um bom desempenho financeiro.
Com a expansão de novos shoppings em cidades em todo o Brasil, o setor continua a ser uma parte importante da economia do país, mesmo diante da previsão de desaceleração nas vendas. O futuro do mercado de shopping centers dependerá da capacidade do setor de se adaptar às mudanças no comportamento do consumidor e de continuar oferecendo um ambiente atrativo e diversificado para os visitantes.
Autor: Günther Ner