A inflamação crônica atua como um inimigo silencioso no envelhecimento do organismo 

Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, elucida que existe um processo biológico que acontece de forma silenciosa no organismo de grande parte dos idosos e que contribui para o desenvolvimento ou agravamento de praticamente todas as doenças crônicas conhecidas: a inflamação crônica de baixo grau. Ele integra a avaliação dos marcadores inflamatórios à sua abordagem clínica como parte de uma visão geriátrica que prefere prevenir a correr atrás do prejuízo. 

Diferente da inflamação aguda, que é visível e localizada, a inflamação crônica é um processo sistêmico que não dói, não apresenta febre e raramente é diagnosticado antes que seus efeitos já estejam instalados. A partir deste artigo, você vai entender o que é a inflamação crônica no idoso, o que a alimenta e como combatê-la. Acompanhe.

Por que a inflamação crônica é tão perigosa na terceira idade?

Com o envelhecimento, o sistema imunológico passa por um fenômeno que os pesquisadores chamam de inflammaging, uma combinação de inflamação persistente e envelhecimento que cria um estado de alerta imunológico constante sem causa específica aparente. Em vista disso, esse estado contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, Alzheimer, sarcopenia e alguns tipos de câncer. É, em resumo, um acelerador do envelhecimento patológico.

Como aponta o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, o inflammaging não é inevitável. Mas é influenciado por fatores modificáveis que incluem alimentação, atividade física, qualidade do sono, estresse crônico e composição da microbiota intestinal. Isso significa que intervenções de estilo de vida têm capacidade real de reduzir esse processo e, com ele, o risco de múltiplas doenças que a maioria das pessoas imagina serem apenas consequências da idade.

O problema é que a inflamação crônica raramente é investigada na consulta convencional do idoso, a menos que exista uma queixa específica que justifique exames de marcadores como PCR ultrassensível ou interleucinas. Dessa forma, a avaliação geriátrica ampliada, que considera o conjunto de fatores de risco e não apenas os diagnósticos estabelecidos, é mais eficaz para identificar e abordar esse problema de forma preventiva.

O que alimenta a inflamação crônica e o que a reduz?

A dieta é um dos principais moduladores da inflamação sistêmica. Posto que alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras trans, açúcar refinado e aditivos químicos, ativam vias inflamatórias com efeitos que se acumulam ao longo de anos. Por outro lado, uma alimentação baseada em alimentos reais, com predominância de vegetais, leguminosas, peixes e gorduras saudáveis, tem o efeito oposto.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Por sua vez, o sedentarismo é outro alimentador potente da inflamação crônica. O tecido adiposo, especialmente o visceral, funciona como um órgão secretor de citocinas inflamatórias. Desse modo, reduzir a gordura visceral por meio de atividade física regular é uma das estratégias anti-inflamatórias mais eficazes disponíveis, sem custo de medicamentos e com benefícios que se estendem por todas as dimensões da saúde do idoso.

Sob a ótica de Yuri Silva Portela, o sono inadequado é frequentemente ignorado nessa cadeia. Isso significa que uma única noite de sono fragmentado já eleva marcadores inflamatórios de forma mensurável. Diante disso, o idoso que dorme mal cronicamente está mantendo um estado inflamatório que compromete sua saúde de formas que vão muito além do cansaço.

Como o Humaniza Sertão aborda esse tema nas comunidades?

Nas ações mensais do Humaniza Sertão no sertão de Quixadá, as orientações nutricionais e de atividade física oferecidas pelas equipes de nutricionistas e fisioterapeutas têm impacto direto sobre os fatores que alimentam a inflamação crônica. A abordagem é sempre contextualizada à realidade alimentar e econômica de cada comunidade.

Conforme destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, as doações de cestas básicas também têm dimensão anti-inflamatória. Sendo assim, garantir acesso a alimentos de qualidade é, numa perspectiva clínica mais ampla, uma intervenção de saúde preventiva com impacto sobre processos biológicos que a medicina convencional raramente relaciona a questões de segurança alimentar.

Inflamação crônica é tratável, não é destino

O envelhecimento inflamatório não é uma sentença. Com as escolhas certas e o acompanhamento adequado, é possível modular esse processo de forma significativa. O doutor Yuri Silva Portela reforça que a prevenção começa na alimentação cotidiana. Cuide do que o idoso come todos os dias. Esse cuidado tem impacto celular que vai muito além do que qualquer exame consegue mostrar.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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